terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Genuinamente Belo



No momento que recebi o convite para participar do blog “Beleza à sua moda” me questionei sobre o que iria escrever. Como poderia eu, que raramente vou ao cabelereiro, que tenho arrepios só de pensar em entrar num shopping e que passo longe de todas as revistas de moda e estilo, escrever sobre beleza? Meditando sobre o tema, refleti que, mesmo sem participar da maioria dos gostos femininos: batons, sapatos, maquiagens ou cuidados estéticos, eu aprecio o belo. O sentimento diante de algo belo, o prazer gerado pela perfeição harmônica de tudo que é estético, me fazem bem. Assim, fui procurar o que é belo e estético na filosofia. Neste artigo falarei brevemente sobre isso. É inspirador!
Estética é uma palavra com origem no termo grego aisthetiké, que significa “aquele que nota, que percebe”. Pode-se dizer que estética é a ciência do belo, estudando o sentimento que o belo desperta dentro de cada um de nós.
Kant, filósofo conhecido por seu conceito de juízo estético, relaciona a estética ao prazer. Tudo aquilo que gera prazer dessinteressado pode ser considerado belo. A beleza não está conectada à utilidade, propósito ou funcionalidade de um objeto, mas ao prazer que ele gera. Sendo que quando se refere ao prazer deve-se levar em consideração que isso é subjetivo. Cada ser tem uma forma de ver e sentir os objetos que os cercam, consequentemente pode-se contar com diversos sentidos de beleza. Não há conceitos embutidos no que é belo. Assim pode rasgar as revistas que determinam o que é bonito para cada época do ano. A beleza ultrapassa os conceitos e interesses, vai além da utilidade e perfeição. O belo existe como fim em si mesmo.    

A satisfação só é estética quando é gratuita e desligada de qualquer fim subjetivo (interesse) ou objetivo (conceito). Quando uma pessoa deita-se na grama, numa noite de lua minguante, e admira as estrelas, contemplando a grandiosidade do céu e o prazer que isso lhe causa, isso pode ser considerado uma satisfação estética. Quando um astrônomo deita-se na grama, na mesma noite, e procura as constelações estudadas para o teste que irá ser realizado amanhã, isso é chamado de negação do valor estético, já que não há contemplação e sim uma busca por conceitos estudados e por um propósito futuro. O mesmo ocorre em outros momentos da vida, numa galeria de arte, num desfile de moda, num passeio no parque, enquanto houver prazer em si mesmo, vivencia-se por completo a satisfação estética, por outro lado, enquanto houver interesse ou racionalidade envolvida distancia-se da satisfação estética.

Em outras palavras, o belo só pode ser admirado quando não houver julgamentos ou interesses do ego. O prazer do simples sentir, ver, contemplar e ser um com aquilo que se observa.

Pode ser uma boa experiência buscar a beleza desinteressada dos objetos, provavelmente vão perceber, assim como eu mesma percebi, o quanto de interesse existe embutido nos julgamentos e críticas sobre o que é belo ou não.
Vale um minutinho de análise, não acham?  


 

Marie Bize | MarieBize.com.br - psicóloga
Marie Bize é psicóloga clínica de adultos e casais, especializada em psicoterapia corporal Reichiana e tecnicas de meditação.
www.mariebize.com.br

Um comentário:

  1. Legal. Então o belo tem que ser espontâneo, se não, não é pleno interiormente. ; o )

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